Em Portugal a circulação entre concelhos está limitada até terça feira, 3 de novembro. Estas restrições acontecem devido ao aumento de casos de infecção pelo Covid-19 no nosso país. Apesar de já estarmos nisto há quase oito meses, há pessoas que ainda não entenderam que esta não é a melhor altura para ir a casamentos com 200 pessoas, passar pela festa do Manel onde estão 50 convidados (dos quais 20 estiveram no casamento) ou ver as ondas da Nazaré que acontecem todos os anos. Nenhuma destas ocasiões faz sentido até porque a Maria e o Pedro para o ano já se vão divorciar e ninguém tem cinco bons amigos, quanto mais 50.
Para além da incapacidade de estarem quietos, tem-se vindo a observar uma nova dificuldade durante a pandemia: utilizar uma máscara. Portanto, deixo-vos com oito tipos de pessoas que estão numa relação complicada com este gesto cívico.
A Karen
Uma espécie em abundância principalmente nos EUA. É conhecida por recusar o uso máscara porque diz que fomos feitos “à imagem de Deus” e que está no direito de cada um escolher não usá-la. Quando confrontada pelo funcionário do supermercado, que se recusa a atendê-la sem máscara, transforma-se numa criança de 3 anos e começa a atirar latas de salsichas para o chão e pacotes de arroz para o ar. Depois de mandar as pessoas que estão a filmar para a terra delas, tosse-lhes em cima na esperança de os infectar com o pior vírus de todos: Covidiota-20.
O Farejador
Usa a máscara com o nariz de fora porque é um ser especial que tem mais calor dentro da máscara do que os outros. Reza a lenda que, deixar o nariz de fora, gera um efeito de corrente de ar na zona facial (e no cérebro, já que não está lá dentro grande coisa). Assim já não morrem sufocados como é o caso de tantos profissionais de saúde.

O Ventura
Não é fácil fazer a saudação nazi e gritar que “Portugal não é racista” ao mesmo tempo. Mais a preocupação de não tropeçar na Maria Vieira. Por isso, para o André Ventura, nada como o clássico “debaixo do queixo”. Aproveita e disfarça o papo que ganhou com o confinamento e os jantares de 300 pessoas a enfardar bacalhau com natas.
O Trump
Tem uma relação bipolar com a máscara. Diz que não é eficaz contra o “vírus da China”, mas depois afirma que é. São más. Não, afinal são óptimas. Não usa, depois usa. Tira, põe. Faz birra, a seguir aceita. Depois faz bullying na “escola” e goza com a máscara do colega porque é muito grande. Enfim, crianças…
O Bolsonaro
Desvaloriza e recusa-se a usar máscara, apesar de já ter apanhado o tal “resfreadjinho”. Afirma ainda que usar máscara “é coisa de viado”, o que é um elogio aos homossexuais porque isso quer dizer que são pessoas responsáveis.
O Imune
Vê o uso da máscara como uma fraqueza. Uma afronta ao seu sistema imunitário. Normalmente diz que já viveu “x” anos, que passou pela guerra “y” e pela gripe “z”. Por isso, não é o coronavírus que o arruma de uma vez por todas.
O Bengaleiro
Descobre bengaleiros em todo o lado para pendurar a máscara. É na orelha, é no cotovelo, é no espelho retrovisor do carro, na manete do pisca… Está por desvendar se estes métodos servem para a máscara arejar (ou apanhar bactérias), se são para obstruir a visão do condutor ou se é para se lembrarem de pôr o pisca.

O Nazareno
Enfia-se no meio da multidão a ver as ondas gigantes da Nazaré, algo que nem sequer acontece todos os anos na Praia do Norte. Como é que ia perder este momento único?! Nada como ir snifar a maresia (e o bafo de milhares de pessoas) para matar o bicho.